Musgo pr´além da Música (1)

O Festival Musgo, como é de praxe, não traz só atrações musicais.

Pra falar um pouco das ações que vão acontecer a partir de quinta, 10/11, nada melhor do que os próprios artistas envolvidos.

Fizemos um breve entrevista com dois deles. Começamos com Carla Rocha, artista plástica e aluna do curso de Artes da Universidade Federal de Uberlândia. Carla ministrará a Oficina de Estêncil que acontecerá na quinta e sexta-feira, a partir das 14h, na Tenda da Dicult (Bloco 3E) durante a programação do Festival.

Na entrevista Carla fala um pouco sobre o Estêncil e o que nos aguarda na oficina.

De onde vem o estêncil e qual seu poder de comunicação hoje?

O estêncil tem como a mesma logica da serigrafia. No Ocidente registra-se no século passado, em o processo de máscaras, recortes, sendo usado em indústrias têxteis onde a imagem era impressa através dos vazados, a pincel. No início do século registravam-se as primeiras patentes: 1907 na Inglaterra e 1915 nos Estados Unidos, e o números de impressos comerciais cresceu muito. Na América, os móveis, paredes e outras superfícies eram decorados dessa maneira.

Desde os tempos mais remotos, existe, no Oriente, o estêncil para a aplicação de padrões em tecidos, móveis e paredes. Na China os recortes em papel não eram só usados como uma forma independente de artefato, mas também como máscaras para estampa, principalmente em tecidos. No Japão o processo com estêncil alcançou grande notabilidade no período Kamamura quando as armaduras dos samurais, as cobertas de cavalos e os estandartes tinham emblemas aplicados por esse processo. Durante os séculos XVII e XVIII ainda se usava esse tipo de impressão na estamparia de tecidos.

Foram raros os artistas que utilizaram o processo como ferramenta para a execução de impressão, ou de trabalhos gráficos. Theóphile Steinlein, um artista suíço que vivia em Paris é um dos poucos exemplos do uso da técnica. Neste período da grande depressão de 30, nos EUA os esforços do WPA – Federal Art Projects, estimularam um grupo de artistas encabeçados por Anthony Velonis a experimentar a técnica com propósitos artísticos. Os materiais e equipamentos baratos, facilmente encontrados sem grandes investimentos foram algumas das razões que estimularam os artistas a experimentar o processo. Tais artistas iniciaram um importante trabalho de transformar um meio mecânico, cujas qualidades gráficas se limitavam às impressões comerciais, numa importante ferramenta para desenvolver seus estilos pessoais. O sentido desse esforço inicial estendeu-se aos artistas dos anos 1950, incluindo os expressionistas abstratos e os action painters, como Jackson Pollock.

As barreiras e definições estabelecidas que tratavam o estencil como “manifestação gráfica menor”, só foram eliminadas no fim dos anos 1950, início dos 1960. O grande responsável por isso foi o processo fotográfico utilizado através da serigrafia e novos conceitos e movimentos artísticos, além do avanço tecnológico: Art Pop, Op Art, Minimalismo entre outros. Os primeiros artistas que se utilizaram do processo procuravam tornar mais naturais e menos frias as impressões. Foram ressaltados, entre outros, dois pontos básicos da técnica: – sua extrema adaptabilidade que permite a aplicação sobre qualquer superfície inclusive tridimensional, muito conveniente para certas tendências artísticas – e suas especificidades gráficas próprias, ou seja características gráficas que o estencil pode proporcionar. Seu poder de comunicação é diverso, pois saiu de uma produção industrial para uma produção artisticas, e com está ponte, é onde alguns podem chegar a uma produção politica. Com seu acabamento visual-industrial (proprio de um trabalho em serie), o estencil exerce atualmente o poder da comunicação enquanto uma das formas de intervenções urbanas – um tipo de manifestação artiticas, geralmente realizada em áreas centrais de grandes cidades. Consiste em uma interação com um objeto artístico previamente existente ou com um espaço público, visando colocar em questão as percepções acerca do objeto artístico. A intervenção artística tem ligações com a arte conceitual e geralmente inclui uma performance. É associada aos Happening, Body Art, ao movimento Dada, Neodadaistas e à arte conceitual. Consiste em um desafio ou, no mínimo, um comentário sobre um objeto (eventualmente, um objeto artístico) de forma a modificar o significado ou as expectativas do senso comum, quanto a esse objeto.

Embora a intervenção, por sua própria natureza, tenha um caráter subversivo, atualmente é tida como legítima manifestação artística, muitas vezes patrocinada pelo Poder Público. Mas, quando não autorizada, quase certamente será considerada como vandalismo e não como arte. Intervenções não autorizadas ou ilegais frequentemente alimentam o debate sobre os limites entre a arte e o simples vandalismo.

A intervenção é sempre inusitada, realizada a céu aberto e por ter um caráter crítico, seja do ponto de vista ideologico, politico ou social, referindo-se a aspectos da vida nos grandes centros urbanos. Um texto embaralhada numa estação, por exemplo, é um convite para que as pessoas parem sua maratona frenética e dediquem alguns minutos para decifrar aquelas palavras. Mas as intervenções urbanas também podem ter outros alvos, como a marginalização da arte, problemas sociais, ambientais e outros.

Essa forma de manifestação também expande os conceitos de arte pois, afinal, se uma pedra pintada de vermelho, uma ilha encoberta por um pano e um homem andando de saia numa avenida movimentada de São Paulo são exemplos de manifestações artísticas, então o que (não) seria arte?

Quais são os projetos de arte urbana desenvolvidos pelo curso de artes atualmente?

A Universidade Federal de Uberlândia está promovendo outras atividades além do projeto – Festival Musgo de Artes Integradas, assim tendo como outras vivências em Artes Visuais como: o projeto do Festival de Artes Visuais – e o projeto Arte e Comunidade – Estencil para uma intervenção urbana.

De onde vem a inspiração das imagens e frases?

Muitas das vezes veêm da propria rua, a Rua é o cenario que traz a problematica do fato estipulado pelo coletivo, assim com as frases são as mesmas coisas, usamos palavras como imagens imbutidas no invisivel. Mas também não podemos esquecer da subjetividade de cada um com seu repertorio da historia da arte, pois é ela que revela o campo imagetico da produção visual e as suas leituras: romances, tragedias, comedias, textos cientificos e até mesmo filosoficos.

O que a gente pode esperar pra oficina do Musgo?

O Festival MUSGO de Artes integradas promove a cada ano, uma semana de atividades culturais variadas, tais como mesas-redondas, exposições, apresentações teatrais, shows e oficinas (neste ano será de estencil). O MUSGO contempla todas as vertentes artísticas produzidas dentro do ambiente da Universidade Federal de Uberlândia e estabelece uma interação artística e intercâmbio de experiências através da presença e participação de variados profissionais da área cultural da nossa cidade e país. Venho com maior ênfase na oficina de estencil – poís também irá trazer a essência do Festival MUSGO, que é a interação das diversidades artisticas, contento dois tipos de grupos: alunos que nunca tiveram experiencias com o Estencil e alunos que já tiveram outras vivências com o suporte de Estencil, ou seja, aulas produtivas e diversificadas de acordo com a subjetividade dos alunos com suas trocas de experiencias, cada um com suas imagens e textos acumulados nas caminhadas promovidas pelas exposições, apresentações teatrais e mesas-redondas, aqui será materializada na produção em imagens ou textos.

Lembrando a tod@s que haverá emissão de certificados para essas atividades! Venha participar!

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Sobre Grupo Tamboril

O Grupo Tamboril de Arte Independente é composto por artistas, comunicadores e divulgadores culturais. Por isso, o Grupo guarda como objetivo desenvolver o intercâmbio entre as ações culturais conscientes do papel da atividade artística nos dias de hoje para que assim seja ampliada a cadeia produtiva da cultura a partir das subseqüentes trocas de tecnologia social evidenciadas nesse processo. Desde as primeiras ações em 2007, na Universidade Federal de Uberlândia, o grupo ressalta a necessidade da criação de público para os artistas universitários, assim como para a perspectiva das ações de sustentabilidade econômica e social dentro do contexto em que vivemos. Assim, o Tamboril divulga os artistas não só da Universidade, mas tem como intuito divulgar e instigar a discussão sobre a proliferação de cultura independente e das iniciativas de autogestão dentro do país de maneira geral. Vislumbra-se aqui, o fato de que iniciativas culturais independentes contribuem em muito para estimular o reconhecimento das práticas econômicas criativas que se desenvolvem não só dentro da cultura, mas em meio a nossa contemporânea plataforma de organização social. Dessa forma, como mecanismos práticos, o Tamboril executa divulgações audiovisuais e virtuais, oficinas de capacitação, grupos de discussão, articulando a isso, exibições plásticas, teatrais e musicais e eventos culturais de maneira multidisciplinar. São esses os instrumentos usados pelo grupo a fim de incitar e divulgar o atrelamento que existe entre Cultura, Sustentabilidade e Desenvolvimento. Suas ações se dão dentro da Universidade Federal de Uberlândia e também fora do campus, em parceria com demais agentes e produtores envolvidos com a cena da cultura nacional e com questões atuais de sustentabilidade.
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