Sobre as Marchas…

Sábado agora marchamos pela liberdade. E muitos devem estar se/nos perguntado:

– O que se ganhou com isso?

O fato de colocarmos em exercício nosso direito de expressão nesse caso pode ser o mais amplo e menos complexo nesse caso.

Fomos para rua por mais.

A mídia convencional fez questão de relacionar a Marcha da Liberdade apenas ao acontecimento da Marcha da Maconha, tentando categorizar o evento e contribuindo assim para alimentar a pobreza de espírito de grande parte da população brasileira que ainda não compreende a dimensão do debate e do diálogo em meio a uma sociedade democrática.

No entanto, quem esteve lá pôde perceber que a manifestação midiática foi expressamente rasa e simplista. A caminhada teve centenas de cidadãos, de todas as idades, representantes de vários setores de nossa sociedade, que traziam diversas reivindicações, todas elas embasadas na vontade de realmente participar do ambiente político, econômico e social, fazendo valer seus interesses e direitos quanto sociedade civil.

O que é surpresa de tudo isso é que a população que deveria se sentir estimulada pelo sentimento de indignação causado pelas arbitrariedades políticas e falsas necessidades econômicas, ainda sim é mantida a par de manifestações que, como está que aconteceu em Uberlândia, tem como demanda principal a liberdade e a democracia real. Essa parcela da população que se sente sufocada e acha que tudo sempre é questão de tempo e empenho, não tem a possibilidade de ampliar a reflexão diante a essas manifestações porque a mídia tal como vemos e temos, não existe para informar os indivíduos em uma sociedade dando-lhe capacidade de refletir sobre o mundo que o cerca. Mais uma vez, em seu clichê, a televisão apenas legitima discursos que não se contraponha a “ordem” estabelecida. Uma ordem que apesar de se mostrar cada vez mais tolerante ao diálogo, ainda sim efetiva os monólogos incoerentes.

A intenção da Marcha e de todos os que participaram, ou aqueles que não participaram, mas que queriam estar presentes, não vai se esvaziar. Pelo contrário. Se continuarmos vivendo sob os antagonismos tal qual vemos florescer hoje, o sistema até poderá transformar seus percalços em retroalimentações, no entanto, mais breves e frágeis serão essas soluções. Aí, de uma maneira ou de outra, chegaremos ao caos.

Ou talvez, já estejamos nele e seja a hora de acordarmos para tal fato.

O que importa é que a Marcha da Liberdade para além de uma manifestação nacional vem de encontro com a perspectiva mundial de repensar sobre os valores humanos dentro da esfera política, econômica e social da qual vivemos. O que tivemos aqui trata-se apenas de um ponto, dentro de uma rede de manifestações coletivas que acontecem pelo mundo e que tem se intensificado cada vez mais em países como a Espanha, a Grécia, o Egito, entre outros países da Europa, da África e do Oriente Médio. Não se trata de uma manifestação encaminhada por partidos, nem por grupos específicos, apenas cidadãos que compartilham o mesmo desejo de indignação e com vontade de reverter essa situação. As demandas são globais. As ações ao locais.

O dever de casa agora é nos mantermos responsáveis e conscientes de que a real mudança tem a nós como protagonistas.

E aí a pergunta, o que você acha que vai ganhar com isso?

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Sobre Grupo Tamboril

O Grupo Tamboril de Arte Independente é composto por artistas, comunicadores e divulgadores culturais. Por isso, o Grupo guarda como objetivo desenvolver o intercâmbio entre as ações culturais conscientes do papel da atividade artística nos dias de hoje para que assim seja ampliada a cadeia produtiva da cultura a partir das subseqüentes trocas de tecnologia social evidenciadas nesse processo. Desde as primeiras ações em 2007, na Universidade Federal de Uberlândia, o grupo ressalta a necessidade da criação de público para os artistas universitários, assim como para a perspectiva das ações de sustentabilidade econômica e social dentro do contexto em que vivemos. Assim, o Tamboril divulga os artistas não só da Universidade, mas tem como intuito divulgar e instigar a discussão sobre a proliferação de cultura independente e das iniciativas de autogestão dentro do país de maneira geral. Vislumbra-se aqui, o fato de que iniciativas culturais independentes contribuem em muito para estimular o reconhecimento das práticas econômicas criativas que se desenvolvem não só dentro da cultura, mas em meio a nossa contemporânea plataforma de organização social. Dessa forma, como mecanismos práticos, o Tamboril executa divulgações audiovisuais e virtuais, oficinas de capacitação, grupos de discussão, articulando a isso, exibições plásticas, teatrais e musicais e eventos culturais de maneira multidisciplinar. São esses os instrumentos usados pelo grupo a fim de incitar e divulgar o atrelamento que existe entre Cultura, Sustentabilidade e Desenvolvimento. Suas ações se dão dentro da Universidade Federal de Uberlândia e também fora do campus, em parceria com demais agentes e produtores envolvidos com a cena da cultura nacional e com questões atuais de sustentabilidade.
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Uma resposta para Sobre as Marchas…

  1. marco nagoa disse:

    É um processo longo…

    Tenho uma sugestão, informar a sociedade que se alimenta pela mídia fazendo uma ação educativa na praça tubal vilela, num sábado o dia todo, ação global de conhecimento.

    ~_-

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