Festival Jambolada. Impressões sobre o 1º dia…

É, a semana que se passou foi realmente agitada. Além do III Congresso Fora do Eixo que reuniu em Uberlândia centenas de pessoas envolvidas com a produção cultural independente aconteceu também a sexta e última edição do Festival Jambolada.

E foi pra deixar saudade. No entanto, as atividades nunca param e muita coisa ainda vem por aí.

Desalma (PE)

Pra constar, fazemos aqui algumas observações sobre as bandas que passaram pelo palco do Acrópole. O primeiro dia começa com o peso da banda que veio de Recife, Desalma. Foi uma pena uma banda que veio de tão longe tocar logo no início, mas quem esteve presente pode comprovar que a cidade vai além da produção musical do maracatu. Que mais sonoridades diferentes venham de lá!

Logo após, sobe ao palco a banda de Uberlândia, A170. Os meninos não conseguiram segurar muito o público que ainda nessa hora era escasso. Talvez a sonoridade e as letras que tentam resgatar o princípio do punkrock melódico “a la Blink-182 e Greenday”  mostra que o público da cena independente tá querendo um pouco mais que isso.

Manos de Responsa (UDI)

Dom Capaz (UDI)

Os Manos de Responsa, rap uberlandense, foi a galera que começou a esquentar os palcos do Acrópole, abrindo campo para que outra atração local, Dom Capaz, pegasse o público quente, esperando ansioso o que estava por vir. A banda fez um bom som e mostra em suas composições um cuidado especial na construção sonora. Quem sabe, com mais um tempo de banda e algumas apresentações a gente não pode dizer que o som bebe da construção métrica de artistas que pensam a matemática do som como reverenciados tipo  Tom Zé. Mas pra isso, a gente precisa de mais um tempo.

A Banda de Joseph Tourton (PE)

Seguindo Dom Capaz, A Banda de Joseph Tourton de Pernambuco, sem dúvida alguma foi a banda revelação da noite. Essa galera, apesar da pouca idade, já mostrou pra que veio. Acredito que ainda vamos ouvir falar muito deles. Tipo aquela banda que vc nunca imagina que vai fazer um som como este e de repente, ganham a cena e a atenção do público presente de maneira extraordinária, sabe? Como me disse Alex Antunes em informal enquanto assistíamos o show, o som instrumental dos meninos bebe de várias influências que vieram bem antes dessa galera toda pensar em nascer. No entanto, eles tocam e compõe com uma propriedade que parece coisa de alma.

Mas deixando esse papo “espiritual” de lado e voltando as apresentações. Pedro Morais também não mostrou nada de mais em sua apresentação. Mais um sonzinho batido, espelhado no pop, disfarçado na harmonia do já obsoleto romantismo sonoro de Minas Gerais uma vez encabeçado por bandas como Jota Quest.

Referências mineiras “tristes” a parte, teve uma banda de BH que surpreendeu. Monograma, que já havia se apresentado em Uberlândia no Festival Grito Rock, se mostrou melhor dessa vez. Não sei se por causa da acústica do local, parecia outra banda, diferente da que já tínhamos visto por aqui. Garantiu a presença do público e pontos positivos dentro da cena indie de Minas.

Cabruêra (PB)

A festa da noite, a grande festa da noite, com direito a “santo baixado” ficou por conta da Cabruêra da Paraíba. Os caras, com um som que referencia o maracatu de uma maneira tão particularmente tensa e lírica, acaba fazendo a gente mais uma vez concluir o quanto a música que vem lá de cima tem inovado, mas ao mesmo tempo reafirmado o que tem de mais bacana na tradição regional.

Falsos Conejos (ARG)

Em seguida, os argentinos do Falsos Conejos, que já haviam se apresentado aqui ano passado entram em palco. Banda instrumental com ótimo desenvolvimento em palco e donos de uma sonoridade diferenciada e intimista. Vale a pena conhecer. Foi vendo esses caras que comecei a perceber durante as apresentações das bandas instrumentais que de certa forma, todas elas tem investido bastante na sua própria identidade. Isso é massa. Dá pulsão e liberdade pro estilo. Mas mais tarde divagaremos sobre a música instrumental da cena.

Nem precisamos dizer que Autoramas, Emicida e Otto, as bandas mais esperadas do dia, aglomeram o grande público em frente aos palcos. Lotações pop a parte, não tiramos fotos, nem filmamos. Fica pra próxima 😉

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Sobre Grupo Tamboril

O Grupo Tamboril de Arte Independente é composto por artistas, comunicadores e divulgadores culturais. Por isso, o Grupo guarda como objetivo desenvolver o intercâmbio entre as ações culturais conscientes do papel da atividade artística nos dias de hoje para que assim seja ampliada a cadeia produtiva da cultura a partir das subseqüentes trocas de tecnologia social evidenciadas nesse processo. Desde as primeiras ações em 2007, na Universidade Federal de Uberlândia, o grupo ressalta a necessidade da criação de público para os artistas universitários, assim como para a perspectiva das ações de sustentabilidade econômica e social dentro do contexto em que vivemos. Assim, o Tamboril divulga os artistas não só da Universidade, mas tem como intuito divulgar e instigar a discussão sobre a proliferação de cultura independente e das iniciativas de autogestão dentro do país de maneira geral. Vislumbra-se aqui, o fato de que iniciativas culturais independentes contribuem em muito para estimular o reconhecimento das práticas econômicas criativas que se desenvolvem não só dentro da cultura, mas em meio a nossa contemporânea plataforma de organização social. Dessa forma, como mecanismos práticos, o Tamboril executa divulgações audiovisuais e virtuais, oficinas de capacitação, grupos de discussão, articulando a isso, exibições plásticas, teatrais e musicais e eventos culturais de maneira multidisciplinar. São esses os instrumentos usados pelo grupo a fim de incitar e divulgar o atrelamento que existe entre Cultura, Sustentabilidade e Desenvolvimento. Suas ações se dão dentro da Universidade Federal de Uberlândia e também fora do campus, em parceria com demais agentes e produtores envolvidos com a cena da cultura nacional e com questões atuais de sustentabilidade.
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